SABIA QUE
APITO DOURADO NO
SACAVENENESE
O árbitro Manuel Peixoto,
apanhado num caso de corrupção, foi condenado pelos
órgãos de justiça da Federação
Portuguesa de Futebol (FPF) a cinco anos
de suspensão. No mesmo processo, o clube
prevaricador, 1.º de Maio, do
Funchal, teve como pena a descida de
divisão.
O caso
remonta à temporada 2002/2003, quando Manuel Peixoto,
árbitro de Braga, foi designado para dirigir o jogo entre o
1.º de Maio e o Sacavenense,
a contar para a 18.ª jornada do campeonato nacional da III
Divisão.
No final da partida, ganha
pelos locais, por 1-0, os responsáveis pela equipa de
Sacavém enviaram para a FPF um fax onde solicitavam a
abertura de “um processo de inquérito”, tendo em
conta a actuação “demasiado infeliz” do
árbitro. Além do fax, juntaram cópias do que
foi relatado em vários jornais para tentar provar que
Peixoto beneficiou o adversário e alertar para o facto de
uma notícia mencionar a entrega na PJ de uma queixa contra
desconhecidos e a existência de uma factura emitida pelo Hotel Roca Mar
(patrocinador do 1.º de Maio), relativa à estada dos
árbitros naquele hotel. Como a FPF, na altura, alojava os
árbitros que se deslocavam do continente no Hotel Madeira, o
Conselho de Disciplina (CD) decidiu investigar. E logo no
início do inquérito apurou que em causa estavam
fortes indícios da prática de
infracções disciplinares de corrupção e de
falsificação do relatório do
jogo.
Ao longo das investigações, o CD deu
como provado que, dias antes do jogo, Manuel Peixoto telefonou a
José Ferreira, dirigente do 1.º de Maio,
“seu amigo de há 6 ou 7
anos”, e solicitou-lhe que lhe reservasse quartos num
hotel para a noite de sexta-feira, (17/01/2003), para
sábado. O encontro realizava-se no dia 19 e a FPF só
suportava a despesa dos quartos dos árbitros na noite
anterior.
Ainda de acordo com os factos dados como provados,
José Ferreira incumbiu o também dirigente do clube
Nélio Rodrigues de fazer a reserva pedida pelo
árbitro no Hotel Roca Mar – patrocinador do clube com publicidade nas
camisolas dos jogadores.
Para o CD, ao pedir ao dirigente do 1.º de
Maio que lhe reservasse quartos – para ele e para os seus
assistentes –, Peixoto “teve a intenção
de ser recompensado” para que o jogo decorresse “em
condições anormais e com
consequências no resultado por actuação parcial sua”. O
CD entendeu também que ao ter acedido ao pedido do
árbitro, o clube teve o objectivo de o recompensar pela
ajuda que ia ter no decorrer da partida.
“Houve
corrupção” e Manuel Peixoto
“denegriu a imagem do futebol, da FPF, da arbitragem e do
desporto em geral”, concluiu o CD. “A justiça da
FPF será implacável com todos os agentes do futebol
que sejam apanhados em casos de corrupção”,
disse ao CM um elemento dos órgãos jurisdicionais da
FPF, referindo-se aos arguidos do processo ‘Apito Dourado’ que venham a ser alvo de
processos disciplinares.
RELATÓRIO
FALSIFICADO
Além de ter ajudado o
1.º de Maio a ganhar ao Sacavenense, o Conselho de Disciplina
da FPF provou que o árbitro Manuel Peixoto falsificou o relatório do jogo, ao ter
escrito que um dos seus assistentes foi José Santos Silva,
embora no campo tenha estado Artur Dias, seu sobrinho. “Foi o
próprio árbitro arguido quem pelo seu punho imitou no
(...) relatório a assinatura (de José Santos Silva),
fazendo crer que ele tinha estado presente naquele jogo”,
lê-se no acórdão do CD da
FPF.
"Noticia Retirada de
Jornal"
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